sexta-feira, 24 de agosto de 2007


Finalmente o verde! A aflição da espera chega ao fim e dezenas de pares de pernas ganham as ruas... a grande maioria vai a passos largos, aflitos, esperançosos de que conseguirão chegar à próxima esquina antes da mudança das luzes. Outros (poucos) tranqüilos, sem preocupações, alheios à tensão à sua volta...sonhadores, com certeza... poetas, artistas, apaixonados...

Mas de repente, a figura, até então estática, do homenzinho verde na caixa preta, fica vermelha e começa a piscar freneticamente. Tudo se acelera, os corações bombeiam mais sangue, a atenção é redobrada, alguns até arriscam uma pequena corrida. Já se ouve o ronco dos motores das motocicletas ao lado, ameaçando os atrasados. Poucos segundos depois, o sonho acabou... Carros e motos já competem por um espaço onde, a pouco, passara um carrinho de bebê.
Lentamente, as margens da avenida começam a se amontoar de novo e angústia do tempo perdido volta a atordoar a cabeça dos mais atarefados. No colo da mãe, o menino simplesmente espera para poder ver o bonequinho verde brilhar para ele...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Mais do mesmo


A inocência da criança é o que lhe permite sonhar...

O homem feito, crescido, calejado, perde muito facilmente essa capacidade de viajar no mundo imaginário, onde as coisas são possíveis (todas!), onde não há limites que o impeçam de voar.

Infeliz do homem que deixou morrer a criança... pois com ela se vão todas as coisas que ele seria sem nunca sê-las...todas as oportunidades de se desprender das preocupações reais e criar algumas surreais... um mundo onde tudo faz sentido, onde o impossível só existe se for desejado...